A REDE tem se reunido para a formação de massa crítica consciencial e manifestação de novos paradigmas. A diferença entre os seres humanos é motivo de trabalho interno permanente. Nessa oportunidade o cultivo de aprofundamentos diversos nos trouxe a partilha do material abaixo:
M
inha sugestão é o livro de
Marshall Rosenberg sobre ''
Comunicação não violenta''(partilhado pelo grupo da ECOVILA de TERRA UNA)
trechos de uma entrevista:
** Como você começou a se interessar pelo assunto?
Cresci em Detroit, uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos. O tempo inteiro havia brigas de rua entre as
comunidades brancas e negras, inflamadas pelo preconceito. Quando isso acontecia, me escondia no porão. Até que decidi
fazer algo a respeito: queria entender por que agimos de maneira violenta quando não nos entendemos. Comecei a estudar
algumas maneiras de ajudar a contribuir para o bem-estar de todos. A comunicação não-violenta foi o resultado de minha
especialização em psicologia social.
** Quando acontece, então, a falta de comunicação?
Quando não há troca. Geralmente estamos tão preocupados com nosso ponto de vista que não escutamos o que os outros estão
dizendo. Ou pior: quando julgamos aqueles que não agem de acordo com o que acreditamos ser correto. Se você quer viver no
inferno, é só pensar no que há de errado com as pessoas que fazem coisas de que você não gosta. Se quer piorar um pouco
mais, diga a eles o que você acha que está errado. Essa maneira de se comunicar só gera raiva, medo, culpa.
** O que podemos fazer para evitar tantos atritos?
Quando jovem, aprendi a me comunicar de maneira impessoal, que não exigia revelar o que se passava dentro de mim.
Quando encontrava pessoas com comportamentos de que não gostava ou que não compreendia, reagia considerando que
fossem errados. Aí ocorreu o clique. Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos
outros em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos nossos sentimentos. Não
fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade.
A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento
aumenta.
** E como isso acontece quando há um assunto que gera discórdia?
O primeiro passo é reformular a maneira como falamos e ouvimos o outro. A idéia é treinar sempre a se expressar com
honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa. Mas temos a síndrome do disco
riscado: repetimos reações, julgando os outros. Existe um treino que ensinamos a todos que buscam se comunicar de maneira
pacífica: do chefe de Estado à professora, do marido ao presidiário.
** Como é esse treino?
Primeiro você observa um determinado acontecimento que afeta seu bem-estar, evitando julgamentos. Em seguida, identifica
como você se sente ao observar aquela ação: se ficou magoado, assustado, alegre etc. Então reconhece quais são suas
necessidades que não estão sendo supridas. A partir dessa reflexão é possível se comunicar com a pessoa ligada à ação,
para resolver o conflito.
** Você tem um exemplo?
Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Um jeito não-violento de se
expressar poderia ser o seguinte: Roberto, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem
no espaço que usamos em comum. Você poderia colocar as meias no seu quarto ou na lavadora? Veja bem, a mãe poderia
reagir de diversas maneiras: bufar, punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta ela deixa claro o que observa,
como se sente, qual necessidade não está sendo atendida. Pode ter certeza de que a chance de ser compreendida é maior.
** Falando assim parece fácil, mas na prática...
Esses passos na verdade funcionam para termos mais consciência antes de agir de maneira reativa e impensada. Experimente
respirar fundo e dar um tempo antes de começar a falar em uma situação que está prestes a entrar em ebulição. Parece papo pra
boi dormir, mas funciona! Assim você consegue elaborar o que o está incomodando.
** Mas e quando a outra pessoa nos ataca verbalmente?
Da mesma maneira que é possível mudar o jeito de se expressar, também dá para escutar os outros de um jeito diferente. Todo
tipo de crítica, ataque, insulto e julgamento desaparece quando concentramos a atenção em ouvir os sentimentos e necessidades
por trás da mensagem. Quanto mais praticamos isso, mais percebemos que por trás de todas essas mensagens que nos
intimidam estão simples indivíduos com necessidades insatisfeitas pedindo que contribuamos para seu bem-estar.
** Como é o trabalho no Brasil?
Tenho uma equipe de pessoas habilitadas que trabalham para mediar conflitos em presídios, em morros do Rio de Janeiro, em
empresas e até em ambientes familiares. A rede de comunicação não-violenta no Brasil é sustentada por doações. Educadores
também realizam oficinas para qualquer pessoa que tenha interesse em aplicar esse aprendizado no cotidiano. O foco é sempre
inspirar a compaixão por isso foi carinhosamente apelidada de linguagem do coração.
Para saber mais:
Livros:
Comunicação Não-violenta - Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais, Marshall Rosenberg, Ágora
Veja mais:
Acesse www.cnvbrasil.org para saber mais sobre a entidade no Brasil e o www.cnvc.org para conhecer o Centro para Comunicação Não-Violenta, da Califórnia.
Contribuição do Skye EM NOSSA REUNIÃO ONTEM(Skye é permacultor e fundador do Instituto de Permacultura do Cerrado/Pantanal (IPCP) Natural de Melbourne, Austrália. Ministrou Cursos de Permacultura na Austrália, México, Japão, Kênia, África do Sul, Cuba, Inglaterra, Alemanha e Argentina. Próximos cursos em janeiro: em Assunção e Ubatuba)
A Teoria U e a resposta para a crise
Teoria U: a atenção que se presta
a uma situação determina a forma como ela evoluirá.
As 3 Vozes Sabotadoras do Futuro
por Tom Cau - tomcau@arpana.com.br
Há algum tempo venho estudando e aplicando, no meu dia-a-dia, a Teoria U de Presenciamento de Otto Scharmer do MIT. E quanto mais aplico, mais vou percebendo a profundidade e a verdade dessa teoria que, no meu caso, já deveria ser chamada de Prática U.
Para quem ainda não conhece, a Teoria U desenvolvida por Otto Scharmer com o apoio de outros pesquisadores do MIT está baseada no conceito que Scharmer chama de “presencing” em inglês, uma fusão das palavras “presence” e “sensing”. “Presencing” tem sido traduzida para o português como “presenciamento”, mas talvez ficasse melhor com dois “s” já que são palavras novas, inexistentes em ambas as línguas.
Praticar o “presenciamento” significa buscar um elevado estado de atenção que permita que as pessoas ou grupos façam uma profunda mudança no espaço interno a partir do qual elas operam. Quando essa mudança ocorre, as pessoas passam a operar a partir de um espaço de possibilidades futuras que sentem que desejam deixar emergir. Ter a habilidade de facilitar essa mudança é hoje a essência da liderança, de acordo com Scharmer.
Para que isso ocorra é necessário que as pessoas ou grupos consigam atuar com a “mente aberta”, com o “coração aberto” e com a “vontade aberta”. Energeticamente poderíamos visualizar três grandes áreas no corpo humano: superior = pensamento, intermediária = coração e inferior = vontade. Porém, existem três vozes que nos impedem de nos abrirmos e atuarmos a partir dessas três áreas.
A Voz do Julgamento nos impede de escutarmos com a “mente aberta”. Enquanto houver julgamento é praticamente impossível ter uma escuta do tipo “mente aberta”. Experimente conversar com alguém e perceba que é quase impossível escutar o que a pessoa diz enquanto estiver julgando a pessoa ou o que ela esteja transmitindo.
A Voz do Cinismo nos impede de escutarmos com o “coração aberto”. Enquanto houver qualquer espécie de cinismo é impossível termos uma escuta empática, ou seja, não conseguimos nos colocar no lugar do outro. A empatia não é possível enquanto nos percebermos diferentes, superiores ou inferiores ao nosso interlocutor.
A Voz do Medo nos impede de atuarmos com a “vontade aberta”. Enquanto houver medo é quase impossível nos movimentarmos para realizar algo. O medo impede o movimento. Sequer admitimos que o futuro, que deseja emergir, possa vir à tona.
Observarmos no nosso dia-a-dia a presença dessas três vozes: do Julgamento, do Cinismo e do Medo. É um primeiro e importante passo para começarmos a praticar o “presenciamento” na nossa vida, nos nossos projetos e nos nossos negócios.
Entrarei em detalhes em futuros artigos sobre o tema. Um bom ponto de partida, além de ler os livros sobre o tema, é acessar o site de Otto Scharmer:http://www.ottoscharmer.com
Em Gratidão,