sexta-feira, 22 de julho de 2011

FEIRA DO BEM ESTAR



NOSSA OITAVA PARTICIPAÇÃO NA FEIRA DO BEM ESTAR


FEIRA DO BEM-ESTAR: SAÚDE, CULTURA E QUALIDADE DE VIDA
DIA 06 DE AGOSTO
LOCAL: PRAÇA DO RÁDIO CLUBE, das 9h ás 17h

saúde
MASSOTERAPIA
REFLEXOLOGIA
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL
ACUPUNTURA AURICULAR
AVALIAÇÃO FÍSICA – IMC
MASSAGEM ANTI-STRESS
CONE CHINÊS
MASSAGEM – ATIVADOR CIRCULATÓRIO E MUSCULAR
MOXATERAPIA
REFLEXOLOGIA DENTAL
LIMPEZA DE PELE
HIDRATAÇÃO FACIAL E MASSAGEM CORPORAL
MASSAGEM RELAXANTE
FEIRA DE PRODUTOS ORGÂNICOS
INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO
COLETA DE TESTAGEM E ORIENTAÇÕES SOBRE DST/AIDS
CLINICA REABILITARE: GUIA DE POSTURA – DR. COLUNA

Lazer, cultura e social
ORIENTAÇÃO JURÍDICA (COMISSÃO DA MULHER ADVOGADA DA OAB)
BAZAR DA REDE (VENDA, TROCA E DOAÇÃO)
BAZAR DE ROUPAS SEMI-NOVAS E BIJOUTERIAS
ÓCULOS RETICULADO, CORDÃO DE LUZ E CRISTAIS
ASTROLOGIA MAIA E NUMEROLOGIA
ATIVIDADES RECREATIVAS: TÊNIS DE MESA E JOGOS DE MESA
CAMA ELÁSTICA
ARTESANATO
ONIBUS DA BRINQUEDOTECA
PRAÇA DA ALIMENTAÇÃO (SUCOS NATURAIS E LANCHES)

ATIVIDADES ARTÍSTICAS E CULTURAIS

9h- BANDA DE MÚSICA MUNICIPAL MAESTRO ULISSES CONCEIÇÃO
10h20- TAI-CHI-CHUAN
10h30- LIAN GONG
11h- SHOW MUSICAL: KARINA MARQUES
13h- SHOW MUSICAL: REGINALDO SANS
14h- PALESTRA: ENTENDA COMO A MUSCULATURA PROTEGE A COLUNA VERTEBRAL – ALINE RICHTER (CLINICA REABILITARE)
15h- ESPAÇO DE DANÇA VENTRE DO ORIENTE: “DESPERTAR”
15h30- ESPAÇO DOURADO “DANÇA ORIENTAL”
16h- SHOW MUSICAL: BANDA ECLIPSE




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Territórios da Cidadania - Instituto Pantanal Sul (IPS)


Territórios da Cidadania


O Governo Federal lançou, em 2008, o Programa Territórios da Cidadania.
O Territórios da Cidadania tem como objetivos promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania por meio de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável. A participação social e a integração de ações entre Governo Federal, estados e municípios são fundamentais para a construção dessa estratégia.


Nosso trabalho no IPS
 
http://idsps.blogspot.com/



http://www.territoriosdacidadania.gov.br/dotlrn/clubs/territriosrurais/one-community



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Eles guardam o planeta Terra



Eles guardam o planeta Terra
Título é concedido a indivíduos comprometidos com a plenitude humana. Conselho Mundial de Cidadania Planetária conta com representantes em nove países
Publicado no Jornal OTEMPO em 08/02/2011

ANA ELIZABETH DINIZ
Especial para O TEMPO




FOTO: STOCKXPERT

Equipe. Em vários países, centenas de pessoas são indicadas pelos méritos dos seus trabalhos em prol de um planeta mais humano, justo, pacífico e inclusivo

O pomposo título de cidadão planetário - ou guardião e embaixador planetário - é atribuído exclusivamente a pessoas que dedicaram a vida a um trabalho que tem como foco principal a preservação da Terra, a plenitude humana e a cultura da paz. É gente que faz a diferença, que plantou e já colhe os frutos de iniciativas bem-sucedidas no que se pode chamar de ecologia do ser ou espiritualidade planetária.

A honraria é oferecida pelo Conselho Mundial de Cidadania Planetária, entidade criada em junho do ano passado em parceria com a Faculdade Antônio Propício Aguiar Franco, de Pium (TO), município detentor de 50% da Ilha do Bananal. "Nós já entregamos 108 títulos acadêmicos honoríficos de cidadania planetária para empreendedores sociais de nove países e quatro continentes, que atuam em atividades integradas com filosofia, tradições, nova ciência, espiritualidade pura ou balizados pela Carta da Terra de 2000", informa Alexandre Sperchi Wahbe, diretor geral do conselho, referindo-se à uma carta votada em 2000 pela Unesco como uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global no século XXI.

Dentro dessa premissa, a entidade tem ainda o projeto o Voo da Águia, "a maior estratégia global organizada, justa, transparente e participativa lançada em nível mundial", comenta Wahbe, que é, autor de vários livros, ex-apresentador de televisão e empreendedor social.

Interação.A ideia, segundo o diretor, é estabelecer a unidade e a interação com a comunidade de empreendedores sociais, cidadãos planetários que estão fazendo a mudança necessária para a transformação e a preservação da Terra, e para a plenitude humana.

Até o momento, além dos 108 cidadãos planetários mapeados, há outros 33 embaixadores e 15 guardiões da Terra em países como Brasil, Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Finlândia, Espanha, Alemanha, Índia e Irã.

Com papel mobilizador, o conselho tem como exemplos de importantes ações a defesa das etnias toba e mapuche, na Argentina, e a libertação de adeptos da crença bahá’í, presos indevidamente no Irã.

Rossany Mouji  -  Membro e Embaixadora do Conselho Mundial de Cidadania Planetária - WCPC

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=162926


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PARTILHANDO Marshall Rosenberg e Otto Scharmer

A REDE tem se reunido para a formação de massa crítica consciencial e manifestação de novos paradigmas. A diferença entre os seres humanos é motivo de trabalho interno permanente. Nessa oportunidade o cultivo de aprofundamentos diversos nos trouxe a partilha do material abaixo:

M


inha sugestão é o livro de 


Marshall Rosenberg sobre ''

Comunicação não violenta''(partilhado pelo grupo da ECOVILA de TERRA UNA)





trechos de uma entrevista:

** Como você começou a se interessar pelo assunto?
Cresci em Detroit, uma das cidades mais violentas dos Estados Unidos. O tempo inteiro havia brigas de rua entre as 
comunidades brancas e negras, inflamadas pelo preconceito. Quando isso acontecia, me escondia no porão. Até que decidi 
fazer algo a respeito: queria entender por que agimos de maneira violenta quando não nos entendemos. Comecei a estudar 
algumas maneiras de ajudar a contribuir para o bem-estar de todos. A comunicação não-violenta foi o resultado de minha 
especialização em psicologia social.

** Quando acontece, então, a falta de comunicação?
Quando não há troca. Geralmente estamos tão preocupados com nosso ponto de vista que não escutamos o que os outros estão 
dizendo. Ou pior: quando julgamos aqueles que não agem de acordo com o que acreditamos ser correto. Se você quer viver no 
inferno, é só pensar no que há de errado com as pessoas que fazem coisas de que você não gosta. Se quer piorar um pouco 
mais, diga a eles o que você acha que está errado. Essa maneira de se comunicar só gera raiva, medo, culpa.

** O que podemos fazer para evitar tantos atritos?
Quando jovem, aprendi a me comunicar de maneira impessoal, que não exigia revelar o que se passava dentro de mim. 
Quando encontrava pessoas com comportamentos de que não gostava ou que não compreendia, reagia considerando que 
fossem errados. Aí ocorreu o clique. Entendi que a grande falha da comunicação está justamente em apontar problemas nos 
outros em vez de olhar o que eles causam em nós. A comunicação começa quando expressamos nossos sentimentos. Não 
fazemos isso porque achamos que ficamos vulneráveis. Mas só assim criamos um relacionamento baseado na sinceridade. 
A partir do momento que as pessoas falam o que precisam, em vez de falarem o que está errado com os outros, o entendimento 
aumenta.

** E como isso acontece quando há um assunto que gera discórdia?
O primeiro passo é reformular a maneira como falamos e ouvimos o outro. A idéia é treinar sempre a se expressar com 
honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa. Mas temos a síndrome do disco
riscado: repetimos reações, julgando os outros. Existe um treino que ensinamos a todos que buscam se comunicar de maneira
pacífica: do chefe de Estado à professora, do marido ao presidiário.

** Como é esse treino?
Primeiro você observa um determinado acontecimento que afeta seu bem-estar, evitando julgamentos. Em seguida, identifica 
como você se sente ao observar aquela ação: se ficou magoado, assustado, alegre etc. Então reconhece quais são suas 
necessidades que não estão sendo supridas. A partir dessa reflexão é possível se comunicar com a pessoa ligada à ação, 
para resolver o conflito.

** Você tem um exemplo?
Vamos supor que uma mãe vai falar com o filho adolescente que deixou a sala uma bagunça. Um jeito não-violento de se 
expressar poderia ser o seguinte: Roberto, quando vejo bolas de meia sujas na sala, fico irritada porque preciso de mais ordem 
no espaço que usamos em comum. Você poderia colocar as meias no seu quarto ou na lavadora? Veja bem, a mãe poderia 
reagir de diversas maneiras: bufar, punir o filho. Mas quando pratica a comunicação não-violenta ela deixa claro o que observa, 
como se sente, qual necessidade não está sendo atendida. Pode ter certeza de que a chance de ser compreendida é maior.

** Falando assim parece fácil, mas na prática...
Esses passos na verdade funcionam para termos mais consciência antes de agir de maneira reativa e impensada. Experimente 
respirar fundo e dar um tempo antes de começar a falar em uma situação que está prestes a entrar em ebulição. Parece papo pra 
boi dormir, mas funciona! Assim você consegue elaborar o que o está incomodando.

** Mas e quando a outra pessoa nos ataca verbalmente?
Da mesma maneira que é possível mudar o jeito de se expressar, também dá para escutar os outros de um jeito diferente. Todo 
tipo de crítica, ataque, insulto e julgamento desaparece quando concentramos a atenção em ouvir os sentimentos e necessidades
por trás da mensagem. Quanto mais praticamos isso, mais percebemos que por trás de todas essas mensagens que nos 
intimidam estão simples indivíduos com necessidades insatisfeitas pedindo que contribuamos para seu bem-estar.

** Como é o trabalho no Brasil?
Tenho uma equipe de pessoas habilitadas que trabalham para mediar conflitos em presídios, em morros do Rio de Janeiro, em 
empresas e até em ambientes familiares. A rede de comunicação não-violenta no Brasil é sustentada por doações. Educadores 
também realizam oficinas para qualquer pessoa que tenha interesse em aplicar esse aprendizado no cotidiano. O foco é sempre
inspirar a compaixão por isso foi carinhosamente apelidada de linguagem do coração.

Para saber mais:

Livros:
Comunicação Não-violenta - Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais, Marshall Rosenberg, Ágora

Veja mais:
Acesse www.cnvbrasil.org para saber mais sobre a entidade no Brasil e o www.cnvc.org para conhecer o Centro para Comunicação Não-Violenta, da Califórnia.





Contribuição do Skye EM NOSSA REUNIÃO ONTEM(Skye é permacultor e fundador do Instituto de Permacultura do Cerrado/Pantanal (IPCP) Natural de Melbourne, Austrália. Ministrou Cursos de Permacultura na Austrália, México, Japão, Kênia, África do Sul, Cuba, Inglaterra, Alemanha e Argentina. Próximos cursos em janeiro: em Assunção e Ubatuba)

A Teoria U e a resposta para a crise

http://www.rafaoliveira.com.br/hsmmanagement/AteoriaUearespostaacrise722009.pdf


Teoria U: a atenção que se presta 

a uma situação determina a forma como ela evoluirá.


As 3 Vozes Sabotadoras do Futuro

por Tom Cau - tomcau@arpana.com.br


Há algum tempo venho estudando e aplicando, no meu dia-a-dia, a Teoria U de Presenciamento de Otto Scharmer do MIT. E quanto mais aplico, mais vou percebendo a profundidade e a verdade dessa teoria que, no meu caso, já deveria ser chamada de Prática U.

Para quem ainda não conhece, a Teoria U desenvolvida por Otto Scharmer com o apoio de outros pesquisadores do MIT está baseada no conceito que Scharmer chama de “presencing” em inglês, uma fusão das palavras “presence” e “sensing”. “Presencing” tem sido traduzida para o português como “presenciamento”, mas talvez ficasse melhor com dois “s” já que são palavras novas, inexistentes em ambas as línguas.

Praticar o “presenciamento” significa buscar um elevado estado de atenção que permita que as pessoas ou grupos façam uma profunda mudança no espaço interno a partir do qual elas operam. Quando essa mudança ocorre, as pessoas passam a operar a partir de um espaço de possibilidades futuras que sentem que desejam deixar emergir. Ter a habilidade de facilitar essa mudança é hoje a essência da liderança, de acordo com Scharmer.
 
Para que isso ocorra é necessário que as pessoas ou grupos consigam atuar com a “mente aberta”, com o “coração aberto” e com a “vontade aberta”. Energeticamente poderíamos visualizar três grandes áreas no corpo humano: superior = pensamento, intermediária = coração e inferior = vontade. Porém, existem três vozes que nos impedem de nos abrirmos e atuarmos a partir dessas três áreas.
 
A Voz do Julgamento nos impede de escutarmos com a “mente aberta”. Enquanto houver julgamento é praticamente impossível ter uma escuta do tipo “mente aberta”. Experimente conversar com alguém e perceba que é quase impossível escutar o que a pessoa diz enquanto estiver julgando a pessoa ou o que ela esteja transmitindo.
 
A Voz do Cinismo nos impede de escutarmos com o “coração aberto”. Enquanto houver qualquer espécie de cinismo é impossível termos uma escuta empática, ou seja, não conseguimos nos colocar no lugar do outro. A empatia não é possível enquanto nos percebermos diferentes, superiores ou inferiores ao nosso interlocutor.
 
A Voz do Medo nos impede de atuarmos com a “vontade aberta”. Enquanto houver medo é quase impossível nos movimentarmos para realizar algo. O medo impede o movimento. Sequer admitimos que o futuro, que deseja emergir, possa vir à tona.
 
Observarmos no nosso dia-a-dia a presença dessas três vozes: do Julgamento, do Cinismo e do Medo. É um primeiro e importante passo para começarmos a praticar o “presenciamento” na nossa vida, nos nossos projetos e nos nossos negócios.
 
Entrarei em detalhes em futuros artigos sobre o tema. Um bom ponto de partida, além de ler os livros sobre o tema, é acessar o site de Otto Scharmer:http://www.ottoscharmer.com  


Em Gratidão,

Rossany Mouji
REDE do BEM Planetário
www.rossanymouji.blogspot.com


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

UMA POLUIÇÃO DE HORMÔNIOS ARTIFICIAIS




INTERFERENTES HORMONAIS NO AMBIENTE: UM RISCO À SAÚDE PÚBLICA


Sônia Corina Hess
Doutora em Química Orgânica, Professora do Departamento de Hidráulica e Transportes, UFMS. e-mail: schess@nin.ufms.br

1. INTRODUÇÃO

Na Exposição Mundial de Paris, realizada entre 25/05 e 25/11/1937, no pavilhão da Espanha, havia uma fonte instalada no jardim de onde jorrava mercúrio metálico (EXPO- 2000, 2010). Este é um dos fatos que demonstra que, à medida que o conhecimento científico evolui, alguns materiais aparentemente úteis e inofensivos à saúde humana se revelam como substâncias perigosas. Um número crescente de produtos químicos presentes no ambiente são suspeitos de atuarem como hormônios artificiais ou interferentes endócrinos (em inglês, endocrine disruptors). Em animais e seres humanos, esses produtos causam distúrbios na síntese, secreção, transporte, ligação, ação ou eliminação de hormônios naturais. Em mulheres, a exposição a agentes estrogênicos artificiais, que mimetizam o hormônio feminino natural, é o principal fator de risco para o desenvolvimento de endometriose, câncer de mama e útero. A exposição de homens adultos a estrógenos resulta em ginecomastia (crescimento das mamas), diminuição da libido, impotência, diminuição dos níveis de hormônio masculino (andrógeno) no sangue e diminuição na contagem de espermatozóides (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998; SKAKKEBAEK et al., 2001; GRAY JR. et al., 2006; SWAN, 2006; BILA &DEZOTTI, 2007; GHISELLI & JARDIM, 2007). Substâncias artificiais quimicamente muito diferentes atuam como interferentes endócrinos e, por isso, é difícil predizer se um material apresentará essa propriedade a partir da sua estrutura química. O inseticida DDT foi o primeiro produto químico artificial a ser descoberto como estrógeno sendo que, ainda em 1949, foi relatado que homens que pilotavam aviões para a aplicação deste inseticida, apresentavam baixas contagens de espermatozóides. Posteriormente, experimentos com animais de laboratório confirmaram que o DDT, no organismo, transforma-se em DDE, um potente agente hormonal e carcinogênico (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998). Em 1996, a publicação do livro intitulado Our Stolen Future (Nosso Futuro Roubado) (COLBORN et al., 2003), trouxe para a comunidade científica e o público em geral, grande preocupação com relação aos efeitos dos interferentes endócrinos, sobre a saúde humana e animal. Por exemplo, no lago Apopka (Flórida/EUA), os jacarés e panteras do sexo masculino sofreram desmasculinização e ficaram inférteis após terem sido expostos ao DDT proveniente de um derramamento acidental.

2. CÂNCER

De 1990 até 2005, a incidência mundial de câncer aumentou em 19%, sendo responsável por mais de 12% de todas as causas de óbito no mundo, estimando-se em mais de 7 milhões o número de pessoas vitimadas anualmente por neoplasias (NEWBY & HOWARD, 2005). Na Europa, onde são registrados 3,2 milhões de novos casos e 1,7 milhões de óbitos por neoplasias a cada ano, estas representam um grave problema de saúde pública, que deverá se agravar com o envelhecimento da população (FERLAY
et al ., 2007). Também foi revelado, a partir de um estudo epidemiológico realizado em
nove países da Europa, que a incidência de câncer testicular aumentou entre 2,3% e 3,4% ao ano nos países nórdicos, e em torno de 5,0% ao ano na Alemanha e Polônia, no período de 1943 a 1989, sendo que o maior aumento foi verificado na população jovem, entre 25 e 34 anos de idade (ADAMI et al., 1994; SHARPE, 2001). Estudos epidemiológicos também têm revelado que, nos últimos 60 anos, em alguns países: a contagem média de espermatozóides diminuiu pela metade; dobrou a incidência de malformações do trato reprodutivo masculino, como hipospadias; e esses efeitos têm forte correlação com a geografia (FOWLER et al ., 2002; FOSTER, 2006; SHARPE,
2000). No Brasil, o número de óbitos decorrentes de neoplasias alcançou 134.691 registros em 2003 e 161.491 em 2007, sendo do sexo masculino a maioria daquelas vítimas. Naquele período, as mulheres constituíram a maioria das vítimas de neoplasias somente, entre os falecidos com 30 a 49 anos de idade, sendo que, em 2007, aquela foi a principal causa dos óbitos do sexo feminino naquela faixa etária (BRASIL, 2010).
Muitos autores têm concluído que a pré-disposição genética é responsável por não mais do que 20% dos casos de câncer e que, em vários tipos de neoplasias, a susceptibilidade genética tem papel importante, mas é a interação entre esta susceptibilidade e os fatores ou as condições resultantes do modo de vida e do ambiente que determina o risco do
adoecimento por câncer (VIGEANT & TICKNER, 2003; INCA, 2006). O tabagismo é a principal causa isolada evitável de câncer e, ao lado do fumo, os agentes infecciosos são considerados os mais importantes cancerígenos, respondendo por aproximadamente 18% dos casos diagnosticados no mundo (INCA, 2006). Em relação ao câncer testicular, pesquisadores concluíram que são fortes as influências dos fatores ambientais sobre a incidência; na maioria dos casos, a exposição aos fatores causais ocorre no começo da vida; há substancial variação geográfica; e a incidência tem aumentado com o tempo, sendo que, para a mesma faixa etária, dobrou a cada 15-25 anos (ADAMI et al., 1994; SHARPE, 2001).

3. MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS

Tem sido descrito que no mundo, em média, entre 3 e 5% das crianças nascem com malformações, enquanto que no Brasil, os registros do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde - SIM/MS (BRASIL, 2010) revelam que, entre 2003 e 2007, as malformações congênitas constaram como a segunda causa de óbito das crianças falecidas com menos de 01 ano de idade, tendo resultado em 13,8% das mortes
registradas em 2003 (7.934 óbitos) e 17,2% em 2007 (7.795 óbitos).
As causas destes problemas, freqüentemente, não são identificadas, sendo que a fração atribuída a causas genéticas é de 20 a 25% (BENTOV et al., 2006). Por outro lado, tem sido evidenciado que diversas anomalias congênitas em animais de laboratório e em
seres humanos ocorrem devido à exposição a algumas classes de produtos artificiais no
ambiente, como: inseticidas (incluindo dieldrin, quepone, endosulfan, metoxiclor, toxafeno e diazinon); herbicidas (por exemplo linuron, alaclor e atrazina); fungicidas (como vinclozolin, procymidona e procloraz) (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998;
SKAKKEBAEK et al., 2001); solventes orgânicos (OLSHAN et al., 1991; CORDIER
et al., 1992; SHAW, 1992; KRISTENSEN et al., 1993; GARLANTÉZEC et al., 2009); dioxinas e bifenilas policloradas (PCBs) (KHOURY, 1989; TILSON et al., 1990;
SONNENSCHEIN & SOTO, 1998; SKAKKEBAEK et al., 2001); promotores de crescimento utilizados na criação de gado, como o acetato de trembolona(GRAY
et al., 2006) e o dietilstilbestrol (DES) (SHARPE et al., 1998; CARDOSO et al ., 1999; SWAN, 2000; PALMER et al ., 2006); além de muitos outros produtos industriais de amplo emprego, tais como Bisfenol A, ftalatos, alquilfenóis e componentes de protetores solares.

BISFENOL A

Por muitos anos, o Bisfenol A (BPA), tem sido uma das substâncias químicas de maior produção ao redor do mundo (2,7 milhões de toneladas em 2003). É uma matéria-prima industrial que está presente em muitos itens, incluindo mamadeiras, garrafas de água mineral, selantes dentários, latas de conserva, encanamentos de água de abastecimento, CDs e DVDs, impermeabilizantes de papéis, tintas etc. Tais materiais sofrem processos que resultam na liberação do Bisfenol A livre em alimentos, bebidas e no ambiente (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998; KANG et al., 2006; VOM SAAL & WELSHONS, 2006; WELSHONS et al., 2006). Por exemplo, o BPA foi detectado: -na saliva, em quantidades suficientes para estimular a proliferação de células de câncer de mama (MCF-7), uma hora após os pacientes terem sido tratados com selador dentário à base de resina derivada do BPA (OLEA et al., 1996); - em mamadeiras de plástico (policarbonato), sob condições semelhantes àquelas do uso normal (BREDE et al., 2003); - nos líquidos das latas de conservas de alimentos revestidas por resina contendo BPA, que estimularam a proliferação das células de câncer de mama, MCF-7 (BROTONS et al., 1995); - em amostras de leite (CASAJUANA & LACORTE, 2004); - na água mineral acondicionada em galões de policarbonato (BILES et al., 1997); entre muitos outros itens.A descoberta de que o Bisfenol A apresenta atividade hormonal ocorreu acidentalmente, quando pesquisadores verificaram que, ao serem autoclavados, os tubos plásticos de policarbonato liberavam na água essa substância estrogênica que, na concentração de 5,7 partes por bilhão (ppb), ocasionou incremento da proliferação de células de câncer de mama humanas sensíveis a estrógenos (MCF-7) (KRISHNAN et al., 1993). Outros estudos revelaram que o BPA em dosagens ainda bem menores, na ordem de partes por trilhão (ppt), estimula a multiplicação de células MCF-7 e causa efeitos nas células da próstata de camundongos (WELSHONS et al ., 2006; VOM SAAL et al., 2007). Além disso, a exposição contínua (por 24 horas) de células de pâncreas a uma solução contendo BPA a 10 ppb ocasionou a secreção de insulina acima do nível normal (ADACHI et al., 2005) e, em estudos realizados com cobaias, foi observado que a administração de BPA a 10 mg/kg/dia, após quatro dias, fez com que ratos adultos desenvolvessem hiperinsulinemia, o que aumenta os riscos de desencadeamento de diabetes melitus do tipo 2 e hipertensão (ALONSOMAGDALENA et al ., 2006). Também foi descrito que o BPA causou distúrbios no sistema imunológico de camundongos, que podem resultar no desencadeamento de doenças auto-imunes, como lupus eritromatoso sistêmico (YURINO et al., 2004; VOM SAAL et al., 2005), e que o BPA e seus derivados foram capazes de interferir na atividade da tireóide de roedores (KITAMURA et al., 2005).
Em outros experimentos realizados com ratos e camundongos, a exposição ao BPA no período fetal ocasionou a alteração da morfologia de diversos órgãos do animal adulto, como útero e vagina (MARKEY et al., 2005), glândulas mamárias (MARKEY et al., 2001, DURANDO et al., 2007) e próstata (WELSHONS et al., 1999). Também foi relatado que a administração de BPA a ratas grávidas e a seus filhotes recém-nascidos resultou, nos expostos, em mudanças no comportamento e obesidade, na idade adulta
(FARABOLLINI et al., 1999, VOM SAAL et al., 2005). Dentre os efeitos sobre
o comportamento, foi observado que o BPA ocasionou hiperatividade, aumento da
agressividade, reação alterada para estímulos de dor ou medo, problemas de aprendizagem e alteração do comportamento sócio-sexual. Notavelmente, na dose de 30 mg/kg de massa corporal/dia, o BPA ocasionou reversão das diferenças normais de comportamento entre os sexos (NEGISHI et al ., 2004; VOM SAAL et al., 2005).
Em uma pesquisa realizada com habitantes dos Estados Unidos, o BPA foi encontrado em níveis superiores a 0,1 ppb em 95% das amostras analisadas, levando os pesquisadores a concluírem que "a freqüente detecção do BPA sugere que os habitantes dos Estados Unidos estão amplamente expostos a esta substância" (WELSHONS et al., 2006). Os autores destacaram que as concentrações de BPA aferidas em fluidos corporais de seres humanos, da ordem de partes por bilhão, são pelo menos 1.000 vezes maiores as concentrações suficientes (partes por trilhão) para que ocorram os efeitos
celulares descritos na literatura, levando aqueles estudiosos a concluíram que as evidências científicas indicam que já devem estar ocorrendo amplos efeitos biológicos desta substância nos seres humanos (WELSHONS et al., 2006; VOM SAAL et al., 2007).
Particularmente preocupantes são os elevados níveis de BPA detectados no soro do cordão umbilical dos fetos, no soro materno durante a gravidez, e no fluido amniótico fetal, durante o período de maior sensibilidade do feto humano aos efeitos danosos dos interferentes endócrinos. Na placenta, os níveis aferidos de BPA ultrapassaram 100 ppb, enquanto que, no sangue de adultos, as concentrações de BPA ficaram na faixa de 0,2 a 20 ppb (WELSHONS et al., 2006). Ressalta-se, ainda, que estudos epidemiológicos levaram à comprovação de que há correlação entre a concentração de Bisfenol A no sangue, com o desenvolvimento de doenças em seres humanos, tais como obesidade, síndrome dos ovários policísticos, hiperplasia do endométrio e abortos (HIROI
et al., 2004; TAKEUCHI et al., 2004; SUGIURAOGASAWARA et al ., 2005). Em estudo divulgado em 2008, também foi encontrada correlação entre os níveis de BPA presente na urina de pessoas adultas (18 a 74 anos de idade), com o desencadeamento de diabetes e mal funcionamento do fígado, entre outros efeitos (LANG et al., 2008). Em outro estudo, divulgado em 2009, foi relatado que crianças com menos de 02 anos de idade apresentaram distúrbios comportamentais decorrentes da exposição pré-natal ao BPA (BRAUN et al., 2009) Em novembro de 2006 foi realizada uma reunião científica intitulada "Bisfenol A: uma avaliação da relevância dos estudos ecológicos,
in vitro e com animais, na investigação dos riscos para a saúde humana". Ao final do evento, os pesquisadores concluíram que (VOM SAAL et al., 2007): "Os muitos efeitos
adversos observados em animais de laboratório expostos a baixas dosagens de
BPA, tanto no período de desenvolvimento, quanto na idade adulta, causa grande preocupação com relação ao potencial de que efeitos semelhantes ocorram em seres humanos [...]. Tendências recentes do adoecimento de seres humanos têm semelhança com os efeitos adversos observados em animais de laboratório expostos a baixas doses de BPA. Especificamente, cita-se como exemplos o aumento da incidência de:

-câncer de próstata e mama;
- anormalidades urogenitais em bebês do sexo masculino;
- puberdade precoce em meninas;
- desordens metabólicas incluindo obesidade e diabetes resistente à insulina (tipo 2);
- problemas neurosociais, como hiperatividade associada a déficit de atenção (ADHD) e autismo;
- além da diminuição da qualidade do sêmen dos homens.”

Na legislação brasileira relativa aos limites de composição e de migração específicas para componentes de embalagens em contato com alimentos (BRASIL, 2008), está estabelecido em 0,6 mg/kg o limite de migração específica para o BPA. Na Dinamarca, bem como em diversos estados dos EUA (Hawaii, Illinois, Maryland, New York e Vermont), foi proibida a presença de Bisfenol A em mamadeiras, brinquedos e outros materiais de uso infantil.

FTALATOS

Os ftalatos são uma classe de materiais produzidos industrialmente em larga escala. Os mais pesados, como o DEHP o DiNP e o DiDP, são produzidos em maior quantidade para a aplicação em materiais de construção, móveis, roupas e, principalmente, para dar flexibilidade ao PVC. Aqueles com pesos moleculares relativamente baixos, como o DMP, o DEP e o DBP, são utilizados em solventes e em adesivos, tintas, cosméticos, ceras, inseticidas e produtos farmacêuticos e de uso pessoal. O BBP é um plastificante
muito utilizado na confecção de pisos poliméricos, em materiais plásticos à base de celulose, acetato de polivinila, poliuretanas e polisulfetos, em couros sintéticos, cosméticos, como agente dispersante em inseticidas, repelentes e perfumes, entre muitos outros produtos (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998).
Devido ao seu amplo emprego, tanto pessoas quanto animais domésticos e selvagens têm sido expostos aos ftalatos por ingestão, inalação, absorção pela pele ou por administração intravenosa. Por exemplo, a absorção de ftalatos pode ocorrer por via alimentar, visto que muitos alimentos são acondicionados em contato com materiais plásticos contendo aqueles aditivos. Também diversos repelentes para insetos e inseticidas contém em suas composições DMP, DBP, DEP ou DnOP, que podem ser absorvidos por via dérmica ou respiratória. Além destes, muitos brinquedos, mamadeiras e outros utensílios de material plástico representam uma fonte potencial de contaminação das crianças por ftalatos. A taxa de transferência dos ftalatos, a partir dos plásticos, para o meio (como alimentos e materiais administrados em procedimentos médicos) depende de diversos fatores, como: a concentração dos ftalatos no material, o tempo de estocagem produto em contato com o plástico, a temperatura, o grau de agitação e a natureza do material, sendo que materiais gordurosos tendem a absorver os ftalatos com mais facilidade (SCHETTLER, 2006).
Em estudos realizados nos Estados Unidos, foi estimada em 40 a 173 μg/kg de massa
corporal/dia a quantidade de DiNP absorvida pelas crianças ao colocarem brinquedos e outros materiais plásticos na boca (FOSTER et al., 2001; SCHETTLER, 2006). Bolsas e mangueiras de PVC contendo DEHP são empregados no tratamento de pacientes para a administração intravenosa de fluidos, fórmulas nutritivas, sangue e também para a hemodiálise e o fornecimento de oxigênio. Estudos demonstraram que a alimentação entérica, contendo gorduras e embaladas em bolsas de PVC contendo DEHP, levam os pacientes adultos a receberem 0,14 mg/kg de massa corporal/dia de DEHP e, os recém nascidos, 2,5 mg/kg de massa corporal/dia. Também durante a transfusão de sangue,
os pacientes adultos recebem entre 8,5 e 3,0 mg/kg de massa corporal/dia de DEHP,
enquanto os recém-nascidos recebem entre 0,3 e 22,6 mg/kg de massa corporal/dia
dessa substância, proveniente dos frascos e mangueiras de PVC (FOSTER et al., 2001; SCHETTLER, 2006).
Tem sido demonstrado que alguns ftalatos são interferentes endócrinos que interferem no desenvolvimento do sistema reprodutivo de roedores do sexo masculino, sendo os fetos mais sensíveis do que os recém-nascidos, e esses, mais vulneráveis do que os animais jovens e adultos. Em particular, a exposição dos machos ainda no período intra-uterino ao DBP, ao BBP e ao DEHP, resulta na idade adulta em uma síndrome de anormalidades reprodutivas, danos aos testículos, além de feminização (FOSTER et al., 2001; FOSTER, 2006; Gray Jr. et al., 2006).
Também foi revelado que ratos com cinco dias de idade que receberam uma baixa
dose única dos ftalatos DCHP, DBP e DEHP, sofreram intensa interferência no desenvolvimento do cérebro, que resultou em hiperatividade (ISHIDO et al., 2005).
Tais dados são muito preocupantes ao considerar-se que as principais enzimas envolvidas na produção da testosterona e de outros hormônios são idênticas em ratos
e em seres humanos, e acredita-se que todos os mamíferos tenham mecanismos semelhantes de ativação de processos dependentes de hormônios. Portanto, acredita-se que fetos humanos que tenham sido suficientemente expostos a determinados materiais tóxicos, apresentem em seus organismos efeitos hormonais adversos semelhantes àqueles observados em experimentos com animais (FOSTER, 2006). Em estudos com seres humanos, foi descrito que houve correlação estatisticamente significativa entre a presença de resíduos de ftalatos na urina de homens adultos, com a obesidade e a resistência à insulina (Stahlhut et al, 2007).
Também foi demonstrado que a exposição intrauterina de seres humanos ao DEHP e
ao DBP, diminui o tempo gestacional e o tamanho ao nascer (LATINI et al.,2003) e
que os níveis de exposição de crianças a ftalatos presentes na poeira dentro das residências estão associados ao aumento da severidade dos sintomas da asma e da
rinite (BORNEHAG et al., 2004). Em estudos divulgados em 2006, encontrou-se
associação entre a presença de resíduos de ftalatos no leite materno e no sangue dos
bebês alimentados com tal alimento, com a incidência de criptorquidismo (não-descida
dos testículos para o escroto) e a diminuição da bio-disponibilidade de testosterona livre, que é necessária ao desenvolvimento normal do trato reprodutivo das crianças do sexo masculino (LOTTRUP et al., 2006; MAIN et al ., 2006). Além disso, em um estudo realizado nos Estados Unidos, foi revelado que mulheres apresentando ftalatos na urina durante a gravidez tiveram bebês do sexo masculino com alterações no aparelho reprodutivo (distância ano-genital menor do que a esperada), comprovando
novamente que os ftalatos exercem atividade hormonal também em seres humanos (SWAN et al., 2005; SWAN, 2008). Os pesquisadores destacaram que os bebês com tais alterações no aparelho reprodutivo, bem como as suas mães, estiveram expostos a doses diárias de ftalatos abaixo dos limites fixados pela legislação americana, demonstrando que a regulamentação para a exposição a estas substâncias deveria ser revista (MARSEE et al ., 2006). Em decorrência dos relatos científicos, na União Européia e nos Estados Unidos foi proibido o emprego de DEHP, DBP e de BBP na fabricação de brinquedos e de materiais para uso infantil, e também de DiNP, DnOP e DiDP em brinquedos direcionados para crianças com menos de três anos (SCHETTLER et al., 2006). Na legislação brasileira relativa aos limites de composição e de migração específicas para componentes de embalagens em contato com alimentos (BRASIL, 2008), há restrições, mas não proibição ao emprego de ftalatos.

ALQUILFENÓIS

Os alquilfenóis, como o nonilfenol e o octilfenol, são empregados como aditivos em plásticos e como matérias-primas na obtenção de surfactantes (alquilfenol etoxilatos, APEs), amplamente utilizados como componentes de detergentes, tintas, herbicidas, agentes umectantes, cosméticos, pesticidas e em muitos outros produtos domésticos, industriais e agrícolas (LOYO-ROSALES et al., 2004; YAO et al., 2005). Em estudos científicos foi descrito que:

- o nonilfenol estimula a multiplicação de células de câncer de mama MCF-7 (SOTO et al., 1991; VAN MEEUWEN et al., 2007);

- a exposição contínua (por 24 horas) de células de pâncreas a uma solução contendo
nonilfenol (10 ppb), ocasionou a secreção de insulina acima do nível normal (ADACHI
et al., 2005);

- a exposição de células hepáticas humanas ao nonilfenol ocasionou inibição de diversas enzimas (NIWA et al., 2002); - o nonilfenol induziu a apoptose (morte celular programada) de células do timo, o que pode afetar negativamente o funcionamento do sistema imunológico de mamíferos (YAO et al., 2005);

- o octil- e o nonilfenol causaram intensa interferência no desenvolvimento do cérebro, resultando em hiperatividade, quando foram administrados a filhotes de ratos com 5 dias de idade (ISHIDO et al., 2005);

- ao ser administrado por via oral para as ratas grávidas e seus filhotes, o nonilfenol ocasionou alterações de comportamento com relação a estímulos de dor e medo, nos animais adultos (NEGISHI et al., 2004).

O nonilfenol foi encontrado:

- na água comercializada em garrafas feitas de plástico PVC (0,30 ppb) e PEAD (0,18
ppb) (LOYO-ROSALES
et al., 2004);

- no leite comercializado em embalagens contendo PEAD (0,18 ppb) (LOYOROSALES et al ., 2004);

- no leite que passou por tubulações industriais constituídas por PVC (SONNENSCHEIN & SOTO, 1998);

- em alimentos em contato com luvas, filmes flexíveis de PVC, pratos e copos descartáveis de poliestireno ou polipropileno (KAWAMURA et al., 2000; FUNAYAMA
et al., 2001; INOUE et al., 2001; ISOBE et al., 2002);

- na água de consumo e em efluentes de estações de tratamento de esgoto, em concentrações suficientes para causar a feminização de peixes (SHIRAISHI et al., 1989; SONNENSCHEIN & SOTO, 1998).

Em estudo tratando da qualidade das águas destinadas ao abastecimento público
na região de Campinas (SP) (GHISELLI, 2006), foi revelado que, dentre as substâncias monitoradas, os seguintes hormônios e interferentes endócrinos foram freqüentemente detectados: dietil e dibutilftalato (0,2 a 3,0 ppm), etinilestradiol (1,0 a 3,5 ppm),
progesterona (1,2 a 4,0 ppm) e bisfenol A (2,0 a 64 ppm).

FILTROS SOLARES

Além de protetores da pele, os filtros de radiação ultravioleta (UV) têm sido acrescentados a muitos produtos para conferir-lhes estabilidade à luz, como:
cosméticos, perfumes, plásticos, carpetes, móveis, roupas e detergentes em pó entre
outros itens, sendo que os seres humanos podem estar expostos aos filtros UV por
absorção dérmica ou através da cadeia alimentar.
Em geral, os materiais que absorvem radiação UVA e UVB são acrescentados em concentrações de até 10% aos produtos para proteção da pele à radiação solar. Dentre as substâncias empregadas como protetores frente à radiação UV estão: homosalato (HMS), benzofenona-1 (BP-1), benzofenona-2 (BP-2), benzofenona-3 (BP-3), benzofenona-4 (BP-4), 3-benzilideno cânfora (3-BC), 4-metil benzilideno cânfora (4-MBC) e 4-metoxicinnamato de 2-etilhexila (OMC) (SCHLUMPF et al., 2001, 2004).
Os filtros de radiação UV representam uma nova classe de substâncias ativas como interferentes endócrinos. Em experimentos in vitro, mesmo em concentrações da ordem de PPB, os filtros solares BP-1, BP-2, BP-3, 3-BC, 4-MBC, HMS e OMC causaram
estímulo da multiplicação de células de câncer de mama MCF-7 (MA et al., 2003;
SCHLUMPF et al., 2001, 2004). Foi relatado, ainda, que os filtros solares BP-1,
BP-3, 4-MBC e OMC, quando misturados, têm sua atividade biológica amplificada
(HENEWEER et al., 2005; KUNZ & FENT, 2006). Em testes in vitro, o OMC também interferiu na liberação de neurotransmissores que atuam no amadurecimento sexual de ratos (SZWARCFARB et al., 2008).
Os filtros solares 4-MBC e 3-BC foram administrados em pequenas quantidades (24 mg/kg de massa corporal/dia) a ratos, desde o período intrauterino até a idade adulta, tendo sido observados os seguintes efeitos: 1) no período perinatal: decréscimo da taxa de sobrevivência, peso reduzido do timo, peso reduzido dos testículos; 2) na puberdade:
atraso na separação do prepúcio; 3) naidade adulta: aumento da tireóide e diminuição da próstata e timo dos machos, aumento da tireóide, timo, útero e ovário das fêmeas (SCHLUMPF et al., 2004; MAERKEL et al., 2005; SOTO & SONNENSCHEIN, 2005). Em um outro estudo foi descrito que os filhotes machos apresentaram deformidades nos testículos quando, durante a gravidez, as mães foram alimentadas com amostras contendo 4- MBC na proporção de 7 mg/Kg corporal. dia (HOFKAMP
et al., 2008). Em ensaios com ratas, os filtros solares foram administrados em mistura
com os alimentos, sendo que o peso uterino aumentou de forma dose dependente para o 4-MBC, OMC e, mais fracamente, para o BP-3. A aplicação dérmica de 4-MBC em ratas imaturas também ocasionou aumento do peso do útero (SCHLUMPF et al., 2001).
O filtro solar BP-3 e seu metabólito foram detectados na urina de pessoas quatro horas após a aplicação dérmica de protetores solares comerciais. Também foi relatado que o BP-3 é prontamente absorvido no trato gastrointestinal. Evidências da acumulação destes produtos em seres humanos têm sido fornecidas por análises do leite materno, sendo que, de cada seis amostras avaliadas, cinco apresentavam resíduos de BP-3 e de OMC em quantidades detectáveis (SCHLUMPF et al ., 2001). Um levantamento dos
componentes descritos nos rótulos dos protetores solares comercializados em Campo Grande (MS) (incluindo aqueles revendidos por representantes de empresas de cosméticos), revelou que todos os produtos continham OMC e que, na maioria das amostras, também havia BP-3 ou 4-MBC.

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